segunda-feira, 5 de julho de 2010

Festival de besteiras que assolam Cuiabá

Recebo um apelo de ilustre educador desta terra rogando-me que faça um registro neste espaço a fim de salvar seu fígado. Enviou-me trecho de matéria sobre um acidente automobilístico na Rodovia Emanuel Pinheiro que arrebentou com o brilho do "Festival de Inverno" extraordinário que se realiza em nossa "Suíça mato-grossense".


Congestionamento enorme, gigante, revoltante.

Tanto é que a maioria retornou a Cuiabá. Os que se aventuraram seguir após solene espera de horas, perderam a graça pelo tempo perdido. Em quase tudo.

Mas, acidentes acontecem. São coisas da vida. Não podemos evitar.

Porém, este meu ilustre amigo, ficou doente do fígado ao ler a notícia. Felizmente mora perto do Hospital mais famoso e sério da América do Sul, o "Albert Einstein". Internou-se.


O motivo, acabo de ler a notícia que ele enviou anexo. Diz: “Engarrafamento recorde na rodovia POPULARMENTE conhecida por “Emanuel Pinheiro”. Numa só chamada, o jornalista (pena não ter enviado o texto inteiro, o jornal e o autor) cometeu dois “suicídios”.

Empregou o “recorde” no sentido de “enorme”, “grandão”, “bastantão de grande”, “mais grande”, “supimpa”, “majestoso”, “gigante”... Quando o “Recorde” significa “a melhor de todas”, assim mesmo “no mesmo local”, “mesmo horário” e em “condições idênticas”, “oficialmente registrada, superando as anteriores” . Portanto, “recorde” não é “enorme”!

E o “POPULARMENTE” para o nome real da rodovia. Ora, a rodovia se denomina “Rodovia Emmanuel Pinheiro da Silva Primo” * e não é “popularmente”, mas, sim, oficial. Popularmente, ai sim, é também conhecida por “rodovia Cuiabá-Chapada” ou “rodovia Chapada-Cuiabá”(1977), “estrada de Chapada”(1965), “picada até Chapada”(1945)...

Porém, quem sou eu que quase obtive um recorde de erros vernaculares na vida e ainda levo cacetadas pelo modo aprendiz de escrever? Portanto, ousei aconselhar o amigo que me enviou o pedaço de texto, a cuidar do fígado e ler mais as entrelinhas, moda sensacional de muitos, em época política.

Contudo, não posso calar-me diante de cochiladas que podem embutir a criação de uma lenda ou tradição como tentam fazer por aqui. Embora não saiba em que jornal foi impressa tal nota sobre esse acidente com congestionamento monstruoso neste sábado no roteiro de Chapada e seu encantador Festival de Inverno, pois a palavra “POPULARMENTE”, empregada para o nome real da rodovia Cuiabá-Chapada doeu muito.

Doeu da mesma maneira que o famoso “do” Mato Grosso (mas, não falam “do” Santa Catarina, “do” Goiás, “do” Minas Gerais), “baixada” cuiabana (mas, não usam essa palavra para o Araguaia, Guaporé, Mississipi, Anhangabaú, S. Francisco, S. Lourenço ou Nilo lá no Egito)...

Agora, será que os carrascos da “cuiabania” cuja palavra não existe e nunca existiu e que representa apenas uma estratégia dos detratores para criar uma casta de fantasias do desespero dos fugitivos alienígenas incapazes – nunca os que tanto adoramos e que arregaçam as mangas com todos nós – sonham em criar para mais um vácuo de analfabetismo adotando outra palavra neológica como “POPULARMENTE”? Com o significado, apenas aqui, de “ORIGINAL”? Por exemplo:

Esta cidade “popularmente” conhecida por Cuiabá, onde o ex-prefeito, “popularmente” denominado Dante de Oliveira chegou a protestar sobre o absurdo do ex-governador “popularmente” registrado como Jaime Campos rogar de joelhos ao “popularmente” presidente Lula da Silva, para que o povo daqui seja punido pelo horário de verão que os próprios engenheiros da época nos deixaram de fora dessa porcaria.

Só para atender a um pedido que nem “te” conto!

E notem que temos aqui uma instituição “popularmente” denominada de Academia Mato-grossense de Letras que não dá um pio sobre isso tudo, a favor de nossa cultura e de nossas lendas e tradições, num fantástico silêncio dos inocentes.

* - Emmanuel Pinheiro da Silva Primo (PSD, PDS, PFL) era deputado por Cuiabá e Chapada dos Guimarães quando foi assassinado por questões passionais num comício lá em Chapada. Um dos mais notáveis políticos desta terra seria o governador de Mato Grosso cujo roteiro de nossa História seria outro bem diferente.

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