segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os 100 dias da presidente Dilma

Ao tomar posse na presidência da República, Dilma Rousseff afirmou: “temos que governar para aqueles que nos apoiaram e aos que não nos apoiaram”. “Sou presidenta de todos os brasileiros.”
Decorridos mais de cem dias de uma governança própria, marcada pelo seu estilo prático e pulso firme, Dilma quebrou o tabu criado por seus opositores de que seria ciceroneada pelo seu criador político, o ex-presidente Lula, que se revelou sempre disposto a aparecer mais que o necessário.
Libertando-se paulatinamente das amarras que durante anos a prendeu ao antecessor e aos seus assessores, afirmou: “Quando há sol bem violento que atinge a cidade, sou a favor da sombra”. “Mas quanto às demais sombras, não acho que sejam compatíveis.”
Demonstrando firmeza, dando personalidade própria à sua gestão e revelando disposição para o embate político, submeteu o arrogante PMDB e demais aliados que ousaram torná-la refém do Poder Legislativo federal.
Ainda na seara política, a presidente Dilma tem se revelado assaz pragmática. Sob o argumento de que o Estado de Minas Gerais é seu berço natal, mas antevendo que o senador mineiro Aécio Neves será o mais forte dos opositores ao seu projeto de governo, Dilma tem se aproximado do governador Antônio Anastasia.
O tucano mineiro foi o primeiro governador a ser recebido pela presidente com quem, a esta altura dos acontecimentos políticos, já esteve por mais três vezes, duas delas quando, ao visitar o Estado, a presidente garantiu a Minas Gerais alguns importantes melhoramentos, dentre os quais, a construção pela Petrobrás de uma usina de amônia e um gasoduto ligando Minas a São Paulo.
Com a chegada do presidente Obama ao Brasil, Dilma buscando mais reciprocidade nas relações comerciais com os Estados Unidos da América, lembrou ao visitante que o comércio é uma via de mão dupla, demonstrando insatisfação quanto às barreiras impostas pelos “yankee” ao etanol, suco de laranja, algodão, carne bovina e outros produtos “Made in Brazil”. Quanto à aspiração do Brasil a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, em vez do desejado “sim”, Obama, saindo pela tangente, polidamente respondeu que seu País a vê com “apreço”.
Quanto ao seu relacionamento com os militares, contra quem lutou quando estavam no poder, após abrir mão da protocolar continência, a presidente enalteceu o regime democrático, afirmando: “Um País que conta, como o Brasil, com Forças Armadas caracterizadas por um estreito apego às suas obrigações constitucionais, é um País que corrigiu seus próprios caminhos e alcançou elevado nível de maturidade institucional”.
Disposta a erradicar a extrema miséria e não somente a levar aos mais carentes o pão de cada dia, como seu antecessor fazia com o bolsa família, a nova presidente se preocupa em, através de cursos de capacitação profissional, emancipar a população mais pobre das agruras de um orçamento deficitário, realçando também a importância da participação da mulher na independência financeira da família.  
Quanto ao relacionamento com outros países, o governo Dilma é nitidamente diferente daquele levado a efeito pelo seu antecessor. Com o Paraguai a quem Lula prometeu um linhão para a transmissão de energia de Itaipu a Assunção no valor de US$ 400 milhões, “dando de ombros”, a presidente realçou que, por não constar no orçamento da União, será postergado.
Com o Irã e Cuba, seguidamente cortejados por Lula, o relacionamento institucional foi alterado, de vez que a presidente Dilma repudia decididamente quaisquer ameaças aos direitos humanos.
Outra iniciativa do governo Lula jogada a escanteio pela nova presidente, foi a aquisição de 36 novos aviões de caça que custaria ao Brasil vários bilhões de dólares.
O mais recente sucesso da presidente Dilma foi a sua viagem à China, quando conseguiu algumas concessões do governo chinês, nosso principal parceiro nas relações econômicas.
Conseguindo do governo chinês uma encomenda dos jatos executivos Legacy e Lineage, a Embraer manterá naquele país, o segundo maior comprador de nossos aviões, as dependências para a montagem dos mesmos. Dos 65 jatos E 190, produzidos em São José dos Campos, encomendados pela China à Embraer, já foram entregue 38, restando ainda a liberação dos 27 restantes.
A presidente Dilma foi considerada pela revista americana Time uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, em 2011.

 

Milton Fraschetti

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