Dezenas
de milhares de cidadãos de Hong Kong tomaram as ruas do território nesta
segunda-feira, exigindo a renúncia de Leung Chun-ying, chefe do Executivo da
região chinesa, e a adoção das prometidas reformas democráticas para que a
população possa escolher seu principal representante. A marcha anual de
protesto tem se tornado cada vez mais popular nos últimos anos, o que destaca o
crescente abismo entre Hong Kong e a China continental, 16 anos depois de o
território ter deixado de ser uma colônia inglesa e ter voltado para o controle
de Pequim. Neste ano, os manifestantes demonstram sua raiva em relação à
performance de Leung Chun-ying, cuja administração tem sido marcada por uma
controvérsia atrás da outra, desde que ele assumiu, um ano atrás. Leung não foi
eleito, mas escolhido por um comitê formado principalmente pelas elites
pró-Pequim e pró-mercado. Os manifestantes enfrentaram fortes chuvas para se
reunirem no ponto inicial da marcha, num parque da região central.
Organizadores disseram que 430 mil pessoas participam da marcha, mas a polícia
diz que foram, no máximo, 66 mil. Pequim prometeu deixar que a população de
Hong Kong escolha seu próprio líder, conhecido como chefe do Executivo, mas não
antes de 2017. A eleição do Legislativo deve acontecer até 2020. Mas os
moradores da cidade, que agora é uma região administrativa especial da China,
estão frustrados com os poucos sinais de progresso na elaboração das mudanças e
alguns temem que elas possam nunca acontecer. A popularidade de Leung caiu para
um nível quase recorde em meados de junho, segundo pesquisa da Universidade de
Hong Kong. Pouco depois de assumir o cargo, Leung, milionário que construiu a
própria fortuna como corretor de imóveis, se envolveu num escândalo sobre a
construção de anexos ilegais em sua mansão. Logo depois, ele deixou pais de
alunos indignados ao tentar introduzir aulas de patriotismo chinês nas escolas,
o que foi visto por muitos como uma tentativa de lavagem cerebral. Mais
recentemente, Barry Cheung, membro do gabinete de Leung, foi forçado a deixar
todos os seus cargos públicos depois de a polícia ter iniciado uma investigação
em sua bolsa de negociação de futuros, opções e outros derivativos. Na semana
passada, o primeiro secretário de desenvolvimento de Leung, Mak Chai-kwong, foi
condenado por um esquema de fraude envolvendo aluguéis, juntamente com outro
funcionário do governo. Fonte: Associated Press.
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