quinta-feira, 4 de julho de 2013

Médicos param pela "reserva de mercado" e o povo paga o pato

Alguns prefeitos do interior de alguns estados brasileiros prometeram pagar vinte mil reais mensais aos médicos e mesmo assim eles não encontraram  profissionais interessados. 
 
 O problema de carência de médicos interiorizados no Brasil tem relação direta com o tipo de formação universitária que eles recebem, tem relação direta com o tipo de medicina que é praticada no Brasil que é mercantil e subordinada aos grandes grupos multinacionais produtores de equipamentos e fármacos – medicina de elite e para elite, portanto muito cara, inacessível para a as maiorias. 
 
 O tipo de desenvolvimento que existe no Brasil concentra a riqueza em poucos municípios ou regiões e exclui o resto.
 
 Daí se explica porque 2/3 do contingente médico (370 mil profissionais) se concentra em regiões dinâmicas do sul e sudeste brasileiro. 
 
 Para atender as dezenas de milhões de pessoas que estão excluídas do sistema de seguro de saúde ou da medicina eminentemente privada (dizem que são 150 milhões de pessoas) necessário se faz mobilizar médicos que possuem outro comportamento técnico e ético e sobretudo que os poderes públicos organizarem o sistema publico de saúde de baixo para cima tal como está acontecendo na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua e até mesmo na Argentina que é um pais de porte e economia média (que sem problemas mobiliza para o sistema de saúde profissionais estrangeiros e nacionais reciclados e ideologicamente preparados).
 
 Aqui não se trata de populismo e sim de enfocar outro paradigma comportamental para organizar um sistema público de saúde pública, universal e gratuito.
 
 Daí o medo que os médicos burgueses têm dos médicos cubanos e até mesmo a todos os médicos que encaram a medicina da forma não mercantil, não corporativa....Medo de que o modelo dê certo e eles terem que mudar comportamentos e egos.
 
Os especialistas médicos são necessários, imprescindíveis e eles estarão na terceira linha aplicando seus conhecimentos nos hospitais e clinicas de especialização. Mas na primeira linha, nos atendimentos básicos de saúde deverá estar a maioria dos médicos brasileiros ou não que serão generalistas e clínicos gerais que estarão enfrentando o dia a dia, o rotineiro, pois é por aí que brasileiro comum sofre e padece de doenças evitáveis.
 
 Encerro com a frase de Pedro Porfírio que é muito sugestiva sobre o que acontece nos tempos atuais: "Médicos param pela "reserva de mercado" e o povo paga o pato".

 

                                                                                      Jacob David Blinder  

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