O Jornal O Globo publicou uma dos mais abjetos e
repugnantes Editoriais já publicados na imprensa brasileira: Foi um
erro editorial o apoio ao golpe de 1964.
Tenho recebido inúmeras cartas que, enviadas para o jornal, não foram
publicadas nem seus remetentes receberam qualquer resposta. Pensei em
publicá-las, mas como o teor de cada uma difere das demais, decidi escrever
este artigo.
Em primeiro lugar não foi um erro editorial, mas uma opção ideológica de
Roberto Marinho, então Redator-Chefe. E hoje seus filhos e herdeiros
intelectuais e membros da redação tentam corrigir o pai e mentor. Por que não
admitem que foi uma opção ideológica clara num Brasil à beira do abismo
comunista? Todos os jornais sérios da época assumiram a mesma posição, como o
próprio Globo admite numa busca covarde, rasteira e repugnante de companhia
para se desculpar. Por que, repito?
Porque o Brasil está novamente à frente do mesmo abismo e hoje não
existem mais homens de coragem e honra para enfrentar este abismo! Compare-se
Carlos Lacerda com Sérgio Cabral, Adhemar de Barros com Alckmin, Magalhães
Pinto com Anastasia, Ildo Meneghetti com Tarso Genro. Compare-se a atual cúpula
militar com a daquela época: Peri com Castello Branco? Só rindo! Ou chorando de
raiva de ver em que se acabaram as chamadas Forças Armadas – eram Armadas, hoje
desarmadas não somente de material bélico, mas também de coragem e honra!
Mas este ‘erro editorial’ tem culpados diretos, um deles o próprio
Roberto Marinho: ao abrigar comunistas em sua redação e acompanhá-los nos
depoimentos ‘para que não desaparecessem’, criava corvos que agora picam seus
olhos mortos, pois corvos adoram carniça e temem os vivos. Só são corajosos
quando o inimigo está morto.
Culpadas também as autoridades da época – a ser verdade que Roberto
respondera ao Ministro da Justiça ‘cuide de seus comunistas que eu cuido dos
meus’ – ajudaram a alimentar os corvos. Estes, hoje montam as ‘Comissões da
Verdade’.
Mas este fato mesmo desmente que havia uma ditadura no país! Imaginem o
redator de um jornal alemão dizer isto ao Paul Joseph Goebbels! Ou um russo
dizendo o mesmo a Beria! Ou a algum dos irmãos Castro? Cabia ao Ministro dar
ordem de prisão ao Dr. Roberto e a todos os ‘seus’ comunistas e fechar o
jornal. Não o fez, alimentou corvos que hoje também lhe picam os olhos assim
como a todas as autoridades militares e civis da época.
Em "King
Lear", Shakespeare escreveu: how sharper than a serpents tooth it
is to have a thankless child! (Tão afiado como o dente de uma serpente é ter um
filho ingrato!). É tão idiota esperar gratidão de um comunista quanto esperar
que uma cascavel não lhe morda.
Ayn Rand entendia disto. Fugira da União Soviética em 1926, foi uma das
denunciantes da infiltração comunista em Hollywood para o Comitê de Atividades
Antiamericanas da Câmara de Representantes (House Un-American Activities
Committee) (não confundir com o Senate Committee on Government
Operations, presidido por McCarthy), juntamente com Ronald Reagan, Robert
Taylor, Jack Warner, Louis B. Mayer e Gary Cooper. Desafiada a mostrar o que
via deu um impressionante e arrasador testemunho sobre o filme The Song
of Russia, de 1941, estrelado por Robert Taylor.
Sendo uma das maiores defensoras da liberdade de pensamento, assim se
expressou quando foi censurada por denunciar colegas: ‘O princípio da
liberdade de expressão requer que não passemos leis proibindo (os comunistas)
de falar. Mas este princípio não implica em que devemos dar a eles emprego e
apoio para defenderem nossa destruição às nossas custas’ [i].
Roberto Marinho deu. Aí está a resposta!
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